Relato de viagem 1 – Natal-Recife

31 de julho de 2008 e.c.

Embarquei com minha amiga Leuzene num avião para Recife e cheguei à capital pernambucana pelas 5:45 da manhã. No aeroporto, enquanto esperava Reginaldo me buscar, conversei um pouco com Leuzene sobre aspectos culturais de Natal e Recife. Notamos que nesta há maior preocupação com “preservar a cultura local”. É muito forte em Recife a busca pela valorização de festas locais e artesanato típico. Por toda a cidade se vêem painéis característicos nas paredes e muros. Acompanhando esse ufanismo, há um tanto de aversão ao “que vem de fora”, o que indica uma postura ainda fechada para o novo. Leuzene é insuspeita para expressar essa opinião, pois é recifense.

Natal tende a ser mais universalista. Até mesmo se pode observar que os grupos étnicos do Rio Grande do Norte são muito homogêneos. Os indígenas potiguares contemporâneos só foram assim reconhecidos há pouco tempo, e só por causa de caracteres físicos. Eles compartilham em grande parte aspectos culturais da população rural “branca” e “negra” (estes hoje chamados de quilombolas). Mas há quem prefira inserir nesses grupos uma “cultura indígena”, em um caso, e uma “cultura quilombola”, em outro, para “resgatar” uma identidade ideal que já não tem nada a ver com sua realidade.

Ao chegar ao apartamento de Reginaldo, ele me encaminhou ao quarto de suas filhas, que vão visitá-lo de tempos em tempos. Um quarto infantil feminino e confortável. Tomamos breakfast, macaxeira cozida, queijo de coalho frito e chá verde misturado com camomila. Dormi com um lençol no rosto, ao modo de minha namorada Inês, pois a cortina era pequena e deixava entrar um facho de sol. Acordei às 11:00 e fui mexer um pouco no meu notebook. Nenhum sinal do anfitrião. Liguei para ele, mas seu celular não atendeu. Liguei para outras pessoas e, assim que a namorada dele, Érika, atendeu o telefonema, Reginaldo saiu de seu quarto. Eles haviam acabado de conversar por telefone.

Almoçamos no Shopping Guararapes, no Bonaparte. Muito gostosa a comida, embora seja cara. Espero ser compensado com uma viagem a Paris com acompanhante. Modéstia à parte, minha resposta à pergunta “Por que o Bonaparte fez sucesso no Brasil?” foi criativa (“Por que trouxe ao Brasil a Boa Parte da França”). Na livraria, folheei um livro sobre Oscar Wilde, com muitas fotos. Li pouco dele. Não sei se era realmente um gênio da literatura, mas pelo menos era posudo e elegante.

À noite, Érika veio. Para não comermos macaxeira requentada, Reginaldo pediu por telefone um filé de frango à parmeggiana. Veio carne. Estragada. Ele reclamou duplamente e recebemos o frango. Se não tivéssemos confiado no olfato de Reginaldo, talvez tivéssemos problemas em nossa viagem da manhã seguinte. Mas deveríamos ter reclamado assim que percebemos que era carne, até porque Reginaldo disse que era a segunda vez que eles erravam. Há uma grande responsabilidade por parte dos consumidores de produtos, especialmente os alimentícios.

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